Neste Blog fala-se de pessoas, emoções, situações. Neste Blog coloco ideias, as minhas ideias, as ideias de outros, por simplesmente me interessar por elas. Neste Blog há letras, palavras, frases, textos e principalmente liberdade de pensamento.
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publicado por viajante só, em 17.08.09 às 22:21link do post | adicionar aos favoritos

Hoje apanhei o autocarro para ir a praia, sozinho, na paz. Melhor do que observar o povinho nas parias portuguesas, só ser obrigado a ouvir as conversas desse mesmo povinho no autocarro. E note-se que ainda é uma hora desse martírio, ou se tirarmos proveito, desse pequeno divertimento.

Fiquei logo à frente, como habitual, numa tentativa de me afastar das restantes famílias que vão para a praia neste mês quente de Agosto. Tentativa infrutífera, já que o povinho insiste em falar alto e bom som e partilhar, com quem não quer ouvir, as suas tiradas pouco inteligentes.

Três fiadas de bancos atrás de mim, iam dois pais de família, daqueles típicos, com bigode, sempre com a filharada atrás e as suas mulheres muito anafadas e mal-humoradas. Esses dois senhores iam a trocar ideias, ideias de um tipo de inteligência, diga-se, do menos elaborada possível, típico de dois pais de família, quando se juntam a reclamar de tudo o todos. Tema do dia, tamtaramram… suspense… ROTUNDAS!!! Uau, melhor não podia ser, começar o meu dia a escutar uma dissertação sobre rotundas. Permiti-me assim, reflectir um pouco sobre algumas ideias destes dois senhores.

Para começar, segundo estes senhores, como é lógico, as rotundas das outras terras mais próximas é que são boas, cuidadas e ornamentadas, com temas alusivos ao 25 de Abril de 74, até porque em Sesimbra (local de destino), existe uma rotunda com dois cravos em metal muito bonitos! Já sobre uma outra rotunda, da vila destes senhores, segundo consta, é feia e mal posicionada, até porque tem barras de ferro paralelas a ornamenta-la. Um dos senhores para mostrar a sua indignação ao amigo remata com um “Já viste bem! E se um gajo se despista-se ali, ficava todo partido!” Pois é, já me estava a esquecer, que uma das coisas em que se deve pensar quando se constrói uma rotunda é o facto de um gajo qualquer se ir despistar nela. Uma boa ideia era faze-las todas com relva bem fofinha, pois nunca se sabe quando é que alguém lá vai espetar o seu veiculo.

Já em Sesimbra e após mais alguns comentários bajuladores às rotundas das terras por onde o autocarro passou, eis que me deparo com a famosa rotunda dos cravos, tão falada pelos dois senhores. Tinha realmente dois grandes cravos de metal no centro e uma placa por baixo com o dito “25 de Abril de 1974”, tudo muito bem, tirando o facto desta aclamada e famosa rotunda, se tratar na realidade, de um triângulo! Ao admirar esta rotunda triângulo, não pude deixar de pensar “…e se um gajo se despista-se aqui! Nem quero imaginar o que seria de um carro espetado no meio de dois enormes pés de cravos de metal.”

Rotundas e triângulos à parte, está visto que tenho muito a aprender com a enorme capacidade de reclamar de tudo e todos, inerente ao povo português. Deste episódio só retiro uma lição, a galinha da vizinha, é e sempre será, melhor do que a minha.

 Sesimbra

sinto-me: Happy

Tia Graça a 19 de Agosto de 2009 às 10:30
Adorei, adorei, adorei!!! Mais uma qualidade para juntar às muitas que já tens! As minhas experiências mais enriquecedoras Têm decorrido nas minhas maravilhosas viagens de autocarro que eu adoro. Porém fui um pouco mais além e comecei por catalogar os meus companheiros de viagem: os putos, com os seus cabelos espetados ou despenteados artisticamente ou não carregados de metal por tudo quanto é lado com as suas miúdas a mandarem mensagens umas para as outras dentro do mesmo autocarro aproveitando para atirarem os seus risinhos parvos; Oos machões que se Vêm uma mulher levantam logo a sobrancelha e deitam a língua de fora ao estilo canino; As "working mums" que são especialistas em vestir tudo o que não combina e fica mal e metem conversa com qualquer criatura que apareça por perto; as velhotas reformadas com o seu delicioso cheiro a naftalina e asua infinidade de sacos que em dias de mercado até cadeiras levam no autocarro e por fim temos os nossos amigos brazileiros, croatas, russos, moldavos,...que devido à sua abundância nos fazem maravilhosamente estrangeiros no nosso país. E depois existo eu que como uma certa pessoa adoro observar pessoas. Beijocas!

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